sábado, setembro 28, 2013

O MEU ANIMAL

sábado, setembro 28, 2013

Xiii, já passaram quatro meses e nem dei por isso. Até me esqueci que tinha um blogue, mas não, não esqueci, cá estou eu, de novo, e com mais energia para escrever. Escritora não sou, mas sabe-me muito bem de vez em quando vir aqui teclar e pôr a cabeça a funcionar. É verdade que a fase da febre do blogue já se desvaneceu com a entrada do Facebook. Todo o mundo não quer outra coisa senão facebookiar (esta palavra é minha), mas os blogueiros ainda não sairam de moda. Valha-nos isso. O tema fica para outra ocasião. Vai fazer dois anos em Dezembro que tenho em casa esta cadelinha adoptada por mim, que é o meu xódó, isto é, é a minha companhia, a minha amiga mais sincera e mais fiel. Nunca tinha tido um animal na minha vida, pois a minha mãe nunca deixou e apesar do meu marido gostar de animais também não queria nenhum em casa. Hoje estou arrependida por não ter tido mais cedo esta companhia tão doce. É uma doçura quando nos olham com aqueles olhinhos doces para nos dar alento para mais um dia, ora bom ora menos bom. Quando nos lambem as mãos para nos agradecer o carinho que damos, seja pouco ou muito. No meu caso ando sempre a dar-lhe mimo. A alegria que têm quando chegamos a casa e temos de lhes dar um carinho para agradecer o seu entusiasmo por nos verem, nem que seja 20 vezes por dia, o cumprimento é sempre o mesmo. E quando estamos doentes? Não nos deslargam enquanto não estamos melhor. Há lá coisa melhor? Nããã

terça-feira, maio 07, 2013

AS MINHAS DISTRAÇÕES

terça-feira, maio 07, 2013

Mais um dia passou e eu continuo neste marasmo caseiro. O que me entretém é o Facebook, sempre vou encontrando gente conhecida e alguma que já não falava há anos. É bom encontrar amigas que há muito nem sequer sabía delas. Trocar ideias, pôr a conversa em dia, lembrar tempos passados, enfim, recordações. Tenho uma amiga brasileira que viveu aqui uns quatro anos, ficámos amigas. As filhas dela eram pequeninas quando cá estiveram, a mais pequena veio com um ano e meio, hoje está uma adolescente quase mulher. A mais velha tinha para aí uns cinco anitos hoje já é mãe de uma menina. Fiquei muito contente, pois um bébé é sempre uma maneira de festejar uma nova vida. A amizade quando é verdadeira nunca se perde, pode existir interregnos, mas perdura sempre. Pelo menos é o que eu acho e não devo estar muito enganada. Outra distração é a televisão: gosto de ver "A guerra dos sexos", que apesar de ser um "remake" não deixo de me divertir com aqueles ótimos atores como o Tony Ramos e a Irene Ravache e claro o nosso Paulo Rocha que está a fazer uma personagem também muito boa. Aliás, o elenco é todo ele muito bom. A Globo está também a transmitir uma novela que apesar da hora é muito boa, chama-se: "Amazónia". Faz-me lembrar o Pantanal, com uma fotografia fantástica. A última distração é a leitura. Agora deu-me para ler livros contando histórias medievais. o último que lí chama-se "A cidade da Luz", de Jacob d´Ancona, achei que iria ser uma seca, mas foi o contrário gostei muito. Podia-me dar para pior. Agora, para mim, seca, seca é lida da casa, detesto. Rsrsrs

terça-feira, abril 30, 2013

VOLTEI

terça-feira, abril 30, 2013

Olá queridos amigos. Antes de mais agradeço a todos que me desejaram as melhoras. Nem queria acreditar que já não vinha aqui desde Outubro passado. Acho que foi um interregno que proporcionei a mim própria. Fui operada no início de Dezembro ao nariz, correu tudo muito bem, apesar de ainda não ter grande cheiro. Lá se foi o olfato. Não interessa, o que importa é que já consigo respirar pelo nariz, isso é que é importante. Entretanto, meteu-se o Natal e o Ano Novo e não deu para vir até aqui. Além disso, ainda não me sinto espiritualmente a cem por cento desde a morte do meu marido. Ainda estou naquela ilusão que ele está fora e voltará. Eu sei que isso não é possível, mas também sei que com o tempo há-de passar, se Deus quiser. E há-de querer. Já lá vão 20 meses e parece que foi ontem. Sinto a falta de ele chegar para jantar, de acordar de manhã com ele ao lado, de me telefonar quando tinha que confirmar alguma coisa, pois em certos aspectos ele era muito dependente de mim. E assim foi até ao fim. Quando se ama é difícil esta separação, mas como o povo diz "o tempo tudo cura", mas não se esquece. Agora a minha maior companhia é a minha cadela fofinha muito meiguinha que me lambe as mãos e quando venho da rua até salta para eu lhe fazer festinhas. É a minha terapia

sexta-feira, outubro 19, 2012

A SAÚDE

sexta-feira, outubro 19, 2012

Náo há dúvida que todos nós, em qualquer momento, desejamos que as pessoas tenham saúde. É quase um ritual quando nasce um novo ser, quando se começa uma nova vida, enfim, quando achamos que a ocasião é propícia a este desejo. Mas só damos o devido valor quando ela nos começa a falhar. Aí pensamos duas vezes: poderíamos ter feito isto ou ter feito aquilo? Resultado: o melhor mesmo é prevenir, SEMPRE. Nesta fase do campeonato, descobri que tinha polipos no nariz. Leiga na matéria pensei que seria qualquer coisa como quistos, santa ingenuidade, nada disso, explicaram-me que os polipos eram pequenos tumores. Ainda não estou em mim, no entanto, acho que estou no principio desta malfadada doença. Já fiz todos os exames e consultas necessárias, estou só à espera que me chamem para a devida operação. Não escondo que estou nervosa, pois é a primeira vez que vou ser operada a qualquer coisa, mas sei também que não posso continuar com o nariz tapado e respirando só pela boca. Arre que isto é cansativo, ando meia dúzia de passos e já estou de lingua de fora, estou desejosa que isto passe de uma vez por todas. O que mexe mais comigo é este compasso de espera até me dizerem quando é que vou à faca. Haja paciência!

terça-feira, setembro 18, 2012

ROUBO

terça-feira, setembro 18, 2012

Cá estou eu, um mês depois do último post. Muita coisa se passou ou o mundo não girasse. A mais gritante foi o ter sido assaltada, pela primeira vez na vida. Ai, que sensação de impotência. Veio por trás de mim e deitou a mão ao meu fio, mas como comecei a gritar, uns vizinhos deram por isso e vieram logo a correr para ver se o apanhavam, mas até chegarem ao pé de mim e ele começar a fugir ainda conseguiu levar-me a pulseira. O fio ficou partido e não conseguiu levar, a medalha ainda a apanhei do chão e a pobre cadela, que eu ia a passear ficou muda e calada. Acho que a bichinha ficou com mais medo do que eu. A seguir fui à Polícia, mas não consegui reconhecer o ladrão. Pudera foi tudo tão rápido, uns segundos apenas, deu lá para reconhecer quem quer que fosse. Só sei que era de raça negra, com trancinhas e pouco mais. Resultado: ouro comigo não anda mais, nem fino nem grosso, nem as alianças. Mas é cá uma sensação que não dá para descrever. Também já não passo a pé pela rua onde isto aconteceu. Só de carro. Enfim, por esta não esperava passar. Até aqui as coisas têm corrido bem, mas com a crise que se instalou neste belo País, está a ficar mais feio do que a noite escura.

sexta-feira, agosto 10, 2012

JÁ TENHO LICENCIATURA

sexta-feira, agosto 10, 2012

Gosto imenso de poetas populares. Aqui vai uma poesia . da autoria do Sr. Máximo, natural de Avis (Alto Alentejo). Espero que gostem JÁ TENHO LICENCIATURA Já tenho licenciatura Agora sou um doutor, Tenho montes de cultura Vou ser Ministro? se fôr? Inscrevi-me ao fim do dia Naquela universidade Dos diplomas de inverdade P'ra testar o que sabia; Já de manhã, mal se via, De maneira prematura Eu fiz muito má figura Mas mesmo sem saber nada Formei-me na Tabuada Já tenho licenciatura! Dei cem erros no ditado E agora o mais curioso: Por estar muito nervoso Á recta chamei quadrado! Quando me foi perguntado Se conhecia o Reitor Respondi que não senhor Embora fosse meu tio! Disse mentiras a fio Agora sou um doutor! Com mesquinhez e com tudo Puxei das equivalências Juntei outras mil valências Deram-me mais um canudo; Com diplomas e com tudo Era fácil a leitura: Deixei de ser um pendura Sou político afamado Sou falado em todo o lado Tenho montes de cultura Já sou Mestre em Corrupção A todos sei enganar Habituei-me a roubar Tirei curso de ladrão; E agora, queiram ou não, Mesmo sem nenhum valor Eu falo que é um primor Na Assembleia sentado Para já sou deputado, Vou ser Ministro? se fôr? Máximo/Avis, 17 de Julho de 2012

terça-feira, agosto 07, 2012

MILAGRE DOS BEBÉS

terça-feira, agosto 07, 2012

Você já parou para analisar o quanto são interessantes os bebés? É fascinante perceber como o Criador nos faz voltar ao palco terrestre para uma nova encarnação. O Espírito velho é revestido por uma embalagem nova, delicada, simpática, que derrete corações e arranca sorrisos em todos os lugares aonde vai. Os bebés proporcionam, primeiramente aos pais, uma experiência sem igual. Esse contato com um ser frágil, que inspira cuidados e atenção constante, desenvolve na alma paterna e materna alguns sentidos, uma espécie de sensibilidade nova, que antes não possuíam. Tentar entender um ser que não fala, que não gesticula e que se expressa de maneiras nada convencionais, é um grande desafio. Exige que se desenvolva a habilidade da empatia. Exige que se coloque no lugar do outro, que se esqueça um pouco das suas próprias necessidades, e pense nas do bebé em primeiro lugar. Isso por si só já opera milagres em muitas famílias, pois é uma mudança de vida significativa. E os pais que não se deixam levar por essas mudanças saudáveis, que não se entregam de corpo e alma a essa experiência, acabam perdendo uma das mais maravilhosas oportunidades da existência. O milagre dos bebés é o convite de enxergar a vida de outra forma. Percebem-se mudanças até no convívio social, nas comunidades onde vemos muitos bebés. Os adultos se relacionam melhor, conversando entre si sobre suas experiências. Passam dicas, dividem preocupações, mas sempre entre sorrisos simpáticos e elogios aos pequenos petizes. A família tem motivos a mais para se reunir, por vezes esquecendo pequenas querelas, implicâncias e atritos mais sérios, pois o assunto principal passa a ser o nenezinho. Resumidamente: é uma fase muito importante para a vida de todos. Tanto para os progenitores, familiares, como para o Espírito que volta à Terra. * * * Se você é pai ou mãe, aproveite bem cada instante. Curta a fase, mergulhe nesse mundo novo de cabeça e sem medo. Evitemos ter que dizer, algum dia, a triste e preocupante sentença: Meus filhos cresceram e nem percebi! As crianças são os seres que Deus manda a novas existências. Para que não lhe possam imputar excessiva severidade, dá-lhes Ele todos os aspectos da inocência. Não foi, todavia, por elas somente que Deus lhes deu esse aspecto de inocência; foi também e sobretudo por seus pais, de cujo amor necessita a fraqueza que as caracteriza. Esse amor se enfraqueceria grandemente à vista de um carácter áspero e intratável, ao passo que, julgando seus filhos bons e dóceis, os pais lhes dedicam toda a afeição e os cercam dos mais minuciosos cuidados. Esta é mais uma faceta da sabedoria Divina, que nos mostra que os mecanismos da natureza são inteligentes e bons. Tudo existe para que possamos crescer. Tudo funciona, no Universo, buscando a harmonia. Autor Desconhecido

sexta-feira, agosto 03, 2012

PARA QUE SERVE UMA RELAÇÃO?

sexta-feira, agosto 03, 2012

Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

......Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso. ......Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. ......Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. ......Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair. ......Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois. Dráuzio Varella é médico omcologista, formado pela USP. Nasceu em São Paulo, em 1943. Este seu artigo está sendo divulgado pela internet.

segunda-feira, julho 30, 2012

PARQUE DOS MONGES

segunda-feira, julho 30, 2012

A minha irmã fez anos no sábado. Como festejar ou não, eis a questão, ela lembrou-se de os comemorar no Parque dos Monges. O quê? O que é isso? Onde fica? Nunca ouvi falar em tal parque. Bom, já sei mais coisas sobre ele. Este é um Parque, também temático e onde se pode fazer muitas actividades. Mas comecemos pelo princípio. Este parque fica em Chiqueda, Alcobaça. Antigamente era conhecido como a Granja do Convento de Cós, agora é uma quinta pedagógica com um fluviário e um parque aventura. Para quem gosta tem também parque das merendas onde pode fazer piquenique. Para quem a crise ainda não é um grande problema tem restaurante. Há também um jardim que representa o jardim do paraíso, assim como as árvores do antigo e novo Testamento. Pela foto que aqui postei, poder-se-à ter uma ideia de como este lugar é bonito e bem sossegado. Talvez por não ser muito divulgado, pode-se dizer que é um oásis no meio do deserto. Depois de uma visitinha guiada e de um passeio pelo parque lanchou-se com um chá e bolachinhas conventuais. Uma visita curta mas muito agradável. Recomendo!

quinta-feira, julho 26, 2012

AMAR SEM POSSUIR

quinta-feira, julho 26, 2012

Ninguém merece ser sozinho... O seu coração sabe disso, porque certamente já experimentou o amargo sabor da solidão. É no encontro com o outro que o eu se afirma e se constrói existencialmente. O outro é o espelho onde o eu se solidifica, se preenche, se encontra e se fortalece para ser o que é. O processo contrário também é verdadeiro, pois nem sempre as pessoas se encontram a partir desta responsabilidade que deveria perpassar as relações humanas. Você, em sua pouca idade, vive um dos momentos mais belos da vida. Você está experimentando o ponto alto dos relacionamentos humanos, porque a juventude nos possibilita ensaiar o futuro no exercício do presente. Já me explico. Tudo o que você vive hoje será muito importante e determinante para a sua forma de ser amanhã. Neste momento da vida, você tem a possibilidade de estabelecer vínculos muito diversificados. Família, amigos, grupos de objetivos diversos, namorados e namoradas. Principalmente esses últimos, que não são poucos. Namora-se muito nos dias de hoje, porque as relações humanas estão cada vez mais instáveis e, por isso, menos duradouras. Parece que o amor eterno está em crise. Que o seu amor não seja único. Quando paramos para pensar um pouco, chegamos à conclusão de que o problema está justamente na forma como estabelecemos os nossos relacionamentos. O grande problema é que geralmente investimos todas as nossas cartas naquela pessoa nova que chegou. Ela passa a centralizar a nossa vida, consumindo nosso tempo, nossos afetos, nossos pensamentos e nossas energias. Tudo passa a convergir para ela e, com isso, vamos reduzindo o nosso círculo de relações. O outro vai tomando tanto nossa atenção que, aos poucos, até mesmo a família vai sendo esquecida. Porém, quando esquecemos de cultivar estes vínculos que até então faziam parte de nós, vamos criando lacunas afetivas dentro do nosso coração. É nesse momento que a confusão acontece, pois todas as necessidades começam a ser preenchidas pela pessoa enamorada. Com o passar do tempo, ela começa a carregar um fardo muito pesado, pois passou a exercer a função de pai, mãe, irmão e amigo, quando na verdade ela é apenas um namorado, ou namorada. Cada forma de amor no seu lugar Essa relação começará ser muito pesada para ambos. Será fortemente marcada pela dependência, pelas cobranças e pelo ciúme. Ambos passam a viver uma insegurança muito grande, pois nunca sabem ao certo o papel que exercem na vida um do outro. O amor deixa de ser amor e passa a ser sentimento de posse, como se o outro fosse uma propriedade adquirida, pronta para atender todos nossos desejos. Quando o coração humano identifica esse sentimento de posse, ele tende a se esconder de si mesmo e, consequentemente, dos outros. Teme que alguém venha quebrar o encanto, mostrando que não existe nenhuma história de amor e que ambos viraram sapos. E, o pior, acorrentados. Mas a mudança é sempre possível. Só é preciso que sejamos honestos. Se por acaso você se identificou com esta possessiva e conturbada forma de amar, vale à pena buscar uma ajuda. Comece a canalizar melhor os seus afetos. Não os direcione a uma única pessoa. Tenha amigos, cultive-os. Redescubra sua casa, seus pais, seus irmãos, mesmo que existam problemas entre vocês. Deixe aflorar os afetos que ficaram adormecidos dentro de você. Não coloque sobre a pessoa que você diz amar a responsabilidade de ser o centro do seu mundo, nem se sinta deixado de lado o dia em que ela disser que não vai lhe ver, porque precisa ficar com a família. É que existem momentos que o colo da mãe é muito mais necessário do que o seu. É duro de ouvir isso? Pois é, muito mais duro é não compreender! Autor Desconhecido

terça-feira, julho 17, 2012

ONDE ESTÁ O ESSENCIAL?

terça-feira, julho 17, 2012

A mulher entrou no consultório do psicoterapeuta e se sentou. Antes de começar a falar, já chorava. Quando finalmente conseguiu parar de soluçar, disse: - Estou sozinha. Meu marido me largou há dois meses. Viajei, pensando que esqueceria, mas não consigo esquecer. Ele é um ingrato. Afinal, eu lhe dei os melhores anos de minha vida. Eu lhe dei filhos lindos. Eles sempre estavam prontos, bem vestidos e penteados, com as mochilas às costas, na hora de ir para a escola. Sempre tive a refeição pronta quando ele chegava, não importando a hora. Sempre recebi os amigos dele. Sempre fui a todos os lugares com ele, mesmo que não gostasse. Sempre sorri, para que todos soubessem que ele tinha uma esposa feliz. Dei-lhe uma casa maravilhosa. Nunca permiti que existisse pó sobre os móveis. Sempre tive o máximo de cuidado com os lençóis para que estivessem brancos, bem passados, perfumados. E agora, isso! Ele conheceu uma mocinha no escritório, se apaixonou por ela e me deixou. O psicoterapeuta olhou para ela e lhe perguntou: - E o que é que você deu de você para ele? Ela não entendeu. Sim, durante anos ela o servira como cozinheira, arrumadeira, babá dos filhos dele. Mas nunca se lembrara de que era a esposa, a companheira, a amiga. * * * Naturalmente, ter a casa arrumada, lençóis limpos, crianças alinhadas e prontas é importante. Mas não é tudo. Mesmo porque, algumas dessas tarefas podem ser delegadas a terceiros. Uma refeição pode ser conseguida num restaurante, roupas limpas na lavandaria, a casa pode ser limpa pela faxineira. Mas o carinho de uma esposa não se compra. Espera-se, simplesmente, como a esposa aguarda o do marido. Mais importante do que a casa sem pó, é um sorriso e um abraço de ternura quando os dois se encontram. Mais importante do que o tapete exatamente no lugar e todos os enfeites bem dispostos sobre os móveis, é uma mão que aperta a outra com força. É a companhia agradável de quem se senta ao lado, olha nos olhos e descobre que o outro teve um dia terrível. Um confia ao outro as suas dificuldades e suas ansiedades, encontrando aconchego mútuo. Amar é dar-se, é confiar. Olhar juntos para os filhos que crescem e vão se tornando independentes. * * * Lembre-se: o mais importante são as pessoas. De que adianta a casa, o carro, as joias, se não houver pessoas para partilhar com você? Entre as pessoas existem aquelas que dependem do nosso afeto. Por isso, não se canse de amar. Olhe para as pessoas. Preste atenção nas suas palavras, gestos, olhares, sentimentos. Em especial aquelas que compartilham com você do mesmo teto, pois são as que mais necessitam do seu amor. (Autor desconhecido)

quarta-feira, julho 11, 2012

DORMIR ACOMPANHADO FAZ BEM À SAÚDE

quarta-feira, julho 11, 2012

E esta hem!!!! Os casais que dormem na mesma cama podem ter menos problemas de saúde e, até, ter uma vida mais longa. A conclusão é de um estudo da University of Pittsburgh (EUA) que vem contrariar investigações anteriores e afirmar benefícios cardíacos e psicológicos. O novo estudo, publicado no Wall Street Journal, contraria algumas investigações anteriores que apontavam uma maior perturbação do sono quando se dormia com outra pessoa. Agora, a equipa de investigação liderada por Wendy M. Troxel, professora de psiquiatria e psicologia da universidade norte-americana, revela que o sentimento de segurança que se tem ao dormir acompanhado pode conduzir à diminuição dos níveis de cortisol, uma hormona do stress. Menos ansiedade e menos insónias Partilhar a cama com o parceiro de uma relação estável contribui, igualmente, para a redução de citocinas, responsáveis por inflamações, e para o aumento da oxitocina, a conhecida hormona do amor. Esta última tende a acalmar a ansiedade e a regular o ciclo de sono, travando as indesejadas insónias e possibilitando uma noite menos agitada. Segundo o estudo, as mulheres que tenham uma relação amorosa estável têm tendência a adormecer mais depressa do que as solteiras, desfrutando de um sono mais calmo. Os investigadores salientam, ainda, que esta estabilidade na relação que possibilita noites tranquilas é, geralmente, alcançada após um período entre seis a oito anos. Muitos casais decidem dormir em camas separadas ou, em casos extremos, em quartos separados, devido a problemas como o ressonar. No entanto, o recente estudo vem comprovar que os benefícios retirados das noites de sono em conjunto superam, em larga escala, estes pequenos problemas, contribuindo não só para o bem-estar individual, mas também da relação. In Boas Notícias e in Gastronomias

domingo, junho 03, 2012

O SENTIDO DO AMOR

domingo, junho 03, 2012

A inteligência sem amor, te faz perverso. A justiça sem amor, te faz implacável. A diplomacia sem amor, te faz hipócrita. O êxito sem amor, te faz arrogante. A riqueza sem amor, te faz avaro. A docilidade sem amor te faz servil. A pobreza sem amor, te faz orgulhoso. A beleza sem amor, te faz ridículo. A autoridade sem amor, te faz tirano. O trabalho sem amor, te faz escravo. A simplicidade sem amor, te deprecia. A oração sem amor, te faz introvertido. A lei sem amor, te escraviza. A política sem amor, te deixa egoísta. A fé sem amor te deixa fanático. A cruz sem amor se converte em tortura. A vida sem amor... não tem sentido.........

quinta-feira, maio 31, 2012

NOSSOS PESOS

quinta-feira, maio 31, 2012

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Você se sente, em alguns dias, como se carregasse o peso do mundo? Sente-se excessivamente cansado, atormentado, assoberbado de tarefas Talvez seja interessante refletir um pouco a respeito do que o está deixando tão exausto, quase desencantado da vida. Conta-se que um conferencista tomou de um copo, nele despejou água e o ergueu, mostrando para a plateia. Então, lançou a pergunta: Quanto vocês acham que pesa este copo? As respostas variaram entre vinte e quinhentos gramas. Bom, completou o conferencista, o peso real do copo não importa. O que importa é por quanto tempo eu o segurarei levantado. Se o segurar por um minuto, tudo bem. Se o segurar durante um dia inteiro, precisarei de uma ambulância para me socorrer. O peso é o mesmo, mas quanto mais o seguro, mais pesado ele ficará. Isso quer dizer que se carregamos nossos pesos o tempo todo, mais cedo ou mais tarde não seremos mais capazes de continuar. A carga irá se tornando cada vez mais pesada. É preciso largar o copo, descansar um pouco, antes de segurá-lo novamente. Temos que deixar a carga de lado, periodicamente. Isso alivia e nos torna capazes de continuar. Portanto, antes de você voltar para casa, deixe o peso do trabalho num canto. Não o carregue para o lar. Você poderá retomá-lo, no dia seguinte. * * * Há sabedoria nas palavras do conferencista. Por isso mesmo, o Sábio de Nazaré, há mais de dois mil anos recomendou: A cada dia basta sua própria aflição. Equivale a dizer que devemos saber nos empenhar em algo que precisa ser feito, que exija todo nosso esforço. Mas que, depois de um tempo, precisamos relaxar, espairecer, trocar de tarefa. A lei trabalhista estabelece o cômputo de horas ao trabalhador. Também o dia do repouso, das férias. Na escola, temos horários de estudo, intercalados com intervalos. Pensemos, portanto, e comecemos a agir com sabedoria. Enquanto no trabalho, todo empenho. Vencidas as horas de esforço mental ou físico, envolvamo-nos em outra atividade prazerosa. Busquemos o lar e vivamos, intensamente, com nossos familiares. Observemos o filho no berço, o outro que ensaia as primeiras letras no papel. Preocupemo-nos em saber se tudo está bem. Conversemos. Desanuviemos o cenho, agora é o momento da família. E não esqueçamos de momentos para a oração, para a boa música, a leitura nobre, que nos refaça a intimidade, nos descanse a alma. Vinculemo-nos a um trabalho voluntário. Cultivemos nosso jardim. Podemos as árvores. Colhamos flores. Despertemos mais cedo e observemos o nascer do sol. Encantemo-nos com o cair da tarde. Em suma: vivamos cada momento com todas as nossas energias. Cada momento, sem levar conosco cargas desnecessárias. Lembremos Jesus: A cada dia basta sua própria aflição.

terça-feira, maio 29, 2012

ELOGIO AO AMOR

terça-feira, maio 29, 2012

Este é um texto velhinho mas não deixa de ser bem atual e como gostei, cá vai: Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também. Miguel Esteves Cardoso

quinta-feira, abril 05, 2012

BOA PÁSCOA!!!

quinta-feira, abril 05, 2012


Desejo a todos uma BOA PÁSCOA com muitas amendoas, saúde e alegria.

domingo, abril 01, 2012

O ELOGIO FAZ FALTA?

domingo, abril 01, 2012


Eu julgo que sim, mas se for sincero.
É também uma das bases para uma relação dar certo, porque muitas vezes quando se o não obtém dentro de casa procura-se fora dela. Eu vou tentar explicar: estamos numa sociedade que, cada vez mais, centra-se no seu próprio "umbigo" e falta a atenção do seu parceiro ou parceira além da falta de carinho cada vez mais irregular. Se não existe o simples gesto de um afago a relação vai-se tornando morna até à intolerância e aqui começa-se a acentuar os defeitos do outro e as críticas aumentam. As discussões também.
Há que haver participação de parte a parte na intimidade do casal, não pode um dos parceiros estar sempre à espera que o outro dê um primeiro passo. Um casamento é feito por duas pessoas: há que dar e receber.
Com a vida agitada em que vivemos até aos nossos filhos nos esquecemos de os elogiar. Incentivar uma criança num caminho certo é a base para a sua vida futura. Isso todos sabemos, não? Um elogio também pode ser importante, e volto a frisar que tem de ser sincero e não para nos descartarmos de situações que nos incomodam. Pensamos demasiado no presente e muito pouco no amanhã e no depois de amanhã em que vamos estar sozinhos com tantas trocas e ausências de afectos.
Estou crente que um bom elogio na hora certa é uma forte motivação para nos darmos melhor um com os outros. A vida é o direito à felecidade.

terça-feira, março 27, 2012

ALIMENTOS QUE LIMPAM O ORGANISMO

terça-feira, março 27, 2012


Há alimentos que ajudam o nosso corpo a eliminar toxinas. Saiba quais são!

Azeite: Melhora o funcionamento do fígado, da vesícula biliar e dos intestinos.
Aipo: Ajuda a limpar as vias urinárias, eliminando o ácido úrico, e protege os rins, evitando a formação de pedra; como contém fibras insolúveis, favorece o bom funcionamento dos intestinos. Se não for fã deste alimento, experimente fritar tirinhas de aipo em azeite, junte nozes e coma como acompanhamento.

Alcachofra: A presença de cinarina ajuda a promover a produção de bílis, que facilita a eliminação de substâncias tóxicas, nomeadamente através da urina. Integre este alimento na sua dieta, cozendo-as a vapor e misturando ervas aromáticas.

Cebola: Prefira comê-la crua (por exemplo, em saladas), dado que ajuda ao funcionamento do fígado e da vesícula biliar, elimina líquidos e oxigena o sangue.

Cenoura: Rica em fibras insolúveis, ajuda a evitar a obstipação, ao mesmo tempo que aumenta a sensação de saciedade. Sumos e saladas são uma boa forma de a consumir com regularidade.


Cereais integrais: Ajudam a eliminar toxinas a nível dos intestinos, protegendo contra os parasitas.

Espargos: As fibras solúveis favorecem o trânsito intestinal, enquanto o potássio facilita a eliminação de toxinas acumuladas na urina. Pode comê-los cozidos ou sob a forma de sopa (basta triturá-los com um pouco de leite e ervas aromáticas).

Limão: Poderoso antioxidante e diurético, que age sobre a qualidade do sangue, eliminando toxinas; ainda melhora a digestão e o funcionamento dos rins. Uma sugestão: junte umas gotas a um copo de água e beba-o de manhã.

Maçã: É uma fruta extremamente depurativa, dado que absorve grande parte das toxinas, enquanto a fibra facilita o trânsito intestinal. Pode consumi-la ao natural, em sumos ou em puré.

Uvas: Elevado efeito depurativo. Pode consumi-las em sumo natural.


Sofia Martinho
in ACTIVA

quinta-feira, março 22, 2012

ORIGEM DO CONTO DO VIGÁRIO

quinta-feira, março 22, 2012


Vivia há já não poucos anos, algures, num concelho do Ribatejo, um pequeno lavrador, e negociante de gado, chamado Manuel Peres Vigário.
Da sua qualidade, como diriam os psicólogos práticos, falará o bastante a circunstância que dá princípio a esta narrativa. Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: «Sr. Vigário, tenho aqui umas notazinhas de cem mil réis que me falta passar. O senhor quer? Largo-lhas por vinte mil réis cada uma.» «Deixa ver», disse o Vigário; e depois, reparando logo que eram imperfeitíssimas, rejeitou-as: «Para que quero eu isso?», disse; «isso nem a cegos se passa.» O outro, porém, insistiu; Vigário cedeu um pouco regateando; por fim fez-se negócio de vinte notas, a dez mil réis cada uma.
Sucedeu que dali a dias tinha o Vigário que pagar a uns irmãos negociantes de gado como ele a diferença de uma conta, no valor certo de um conto de réis.
No primeiro dia da feira, em a qual se deveria efectuar o pagamento, estavam os dois irmãos jantando numa taberna escura da localidade, quando surgiu pela porta, cambaleando de bêbado, o Manuel Peres Vigário. Sentou-se à mesa deles, e pediu vinho. Daí a um tempo, depois de vária conversa, pouco inteligível da sua parte, lembrou que tinha que pagar-lhes. E, puxando da carteira, perguntou se, se importavam de receber tudo em notas de cinquenta mil réis. Eles disseram que não, e, como a carteira nesse momento se entreabrisse, o mais vigilante dos dois chamou, com um olhar rápido, a atenção do irmão para as notas, que se via que eram de cem. Houve então a troca de outro olhar.
O Manuel Peres, com lentidão, contou tremulamente vinte notas, que entregou. Um dos irmãos guardou-as logo, tendo-as visto contar, nem se perdeu em olhar mais para elas. O Vigário continuou a conversa, e, várias vezes, pediu e bebeu mais vinho. Depois, por natural efeito da bebedeira progressiva, disse que queria ter um recibo. Não era uso, mas nenhum dos irmãos fez questão. Ditava ele o recibo, disse, pois queria as coisas todas certas. E ditou o recibo – um recibo de bêbedo, redundante e absurdo: de como em tal dia, a tais horas, na taberna de fulano, e «estando nós a jantar (e por ali fora com toda a prolixidade frouxa do bêbedo...), tinham eles recebido de Manuel Peres Vigário, do lugar de qualquer coisa, em pagamento de não sei quê, a quantia de um conto de réis em notas de cinquenta mil réis. O recibo foi datado, foi selado, foi assinado. O Vigário meteu-o na carteira, demorou-se mais um pouco, bebeu ainda mais vinho, e daí a um tempo foi-se embora.
Quando, no próprio dia ou no outro, houve ocasião de se trocar a primeira nota, o que ia a recebê-la devolveu-a logo, por escarradamente falsa, e o mesmo fez à segunda e à terceira... E os irmãos, olhando então verdadeiramente para as notas, viram que nem a cegos se poderiam passar.
Queixaram-se à polícia, e foi chamado o Manuel Peres, que, ouvindo atónito o caso, ergueu as mãos ao céu em graças da bebedeira providencial que o havia colhido no dia do pagamento. Sem isso, disse, talvez, embora inocente, estivesse perdido.
Se não fosse ela, explicou, nem pediria recibo, nem com certeza o pediria como aquele que tinha, e apresentou, assinado pelos dois irmãos, e que provava bem que tinha feito o pagamento em notas de cinquenta mil réis. «E se eu tivesse pago em notas de cem», rematou o Vigário «nem eu estava tão bêbedo que pagasse vinte, como estes senhores dizem que têm, nem muito menos eles, que são homens honrados, mas receberiam.» E, como era de justiça foi mandado em paz.
O caso, porém, não pôde ficar secreto; pouco a pouco se espalhou. E a história do «conto de réis do Manuel Vigário» passou, abreviada, para a imortalidade quotidiana, esquecida já da sua origem.
Os imperfeitíssimos imitadores, pessoais como políticos, do mestre ribatejano nunca chegaram, que eu saiba, a qualquer simulacro digno do estratagema exemplar.
Por isso é com ternura que relembro o feito deste grande português, e me figuro, em devaneio, que, se há um céu para os hábeis, como constou que o havia para os bons, ali lhe não deve ter faltado o acolhimento dos próprios grandes mestres da Realidade – nem um leve brilho de olhos de Macchiavelli ou Guicciardini, nem um sorriso momentâneo de George Savile, Marquês de Halifax.
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Contado por Fernando Pessoa
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(publicado pela primeira vez no diário Sol, Lisboa, ano I, nº 1, de 30/10/1926, com o título de «Um Grande Português». Foi publicado depois no Notícias
Ilustrado, 2ª série, Lisboa, 18/08/1929, com o título de «A Origem do Conto do Vigário».

quarta-feira, março 14, 2012

MORRE LENTAMENTE QUEM

quarta-feira, março 14, 2012


"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda