sábado, setembro 28, 2013
O MEU ANIMAL
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AnadoCastelo
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terça-feira, maio 07, 2013
AS MINHAS DISTRAÇÕES
Mais um dia passou e eu continuo neste marasmo caseiro. O que me entretém é o Facebook, sempre vou encontrando gente conhecida e alguma que já não falava há anos. É bom encontrar amigas que há muito nem sequer sabía delas. Trocar ideias, pôr a conversa em dia, lembrar tempos passados, enfim, recordações. Tenho uma amiga brasileira que viveu aqui uns quatro anos, ficámos amigas. As filhas dela eram pequeninas quando cá estiveram, a mais pequena veio com um ano e meio, hoje está uma adolescente quase mulher. A mais velha tinha para aí uns cinco anitos hoje já é mãe de uma menina. Fiquei muito contente, pois um bébé é sempre uma maneira de festejar uma nova vida. A amizade quando é verdadeira nunca se perde, pode existir interregnos, mas perdura sempre. Pelo menos é o que eu acho e não devo estar muito enganada. Outra distração é a televisão: gosto de ver "A guerra dos sexos", que apesar de ser um "remake" não deixo de me divertir com aqueles ótimos atores como o Tony Ramos e a Irene Ravache e claro o nosso Paulo Rocha que está a fazer uma personagem também muito boa. Aliás, o elenco é todo ele muito bom. A Globo está também a transmitir uma novela que apesar da hora é muito boa, chama-se: "Amazónia". Faz-me lembrar o Pantanal, com uma fotografia fantástica. A última distração é a leitura. Agora deu-me para ler livros contando histórias medievais. o último que lí chama-se "A cidade da Luz", de Jacob d´Ancona, achei que iria ser uma seca, mas foi o contrário gostei muito. Podia-me dar para pior. Agora, para mim, seca, seca é lida da casa, detesto. Rsrsrs
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6:45 p.m.
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terça-feira, abril 30, 2013
VOLTEI
Olá queridos amigos. Antes de mais agradeço a todos que me desejaram as melhoras. Nem queria acreditar que já não vinha aqui desde Outubro passado. Acho que foi um interregno que proporcionei a mim própria. Fui operada no início de Dezembro ao nariz, correu tudo muito bem, apesar de ainda não ter grande cheiro. Lá se foi o olfato. Não interessa, o que importa é que já consigo respirar pelo nariz, isso é que é importante. Entretanto, meteu-se o Natal e o Ano Novo e não deu para vir até aqui.
Além disso, ainda não me sinto espiritualmente a cem por cento desde a morte do meu marido. Ainda estou naquela ilusão que ele está fora e voltará. Eu sei que isso não é possível, mas também sei que com o tempo há-de passar, se Deus quiser. E há-de querer. Já lá vão 20 meses e parece que foi ontem. Sinto a falta de ele chegar para jantar, de acordar de manhã com ele ao lado, de me telefonar quando tinha que confirmar alguma coisa, pois em certos aspectos ele era muito dependente de mim. E assim foi até ao fim. Quando se ama é difícil esta separação, mas como o povo diz "o tempo tudo cura", mas não se esquece. Agora a minha maior companhia é a minha cadela fofinha muito meiguinha que me lambe as mãos e quando venho da rua até salta para eu lhe fazer festinhas. É a minha terapia
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sexta-feira, outubro 19, 2012
A SAÚDE
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terça-feira, setembro 18, 2012
ROUBO
Cá estou eu, um mês depois do último post. Muita coisa se passou ou o mundo não girasse. A mais gritante foi o ter sido assaltada, pela primeira vez na vida. Ai, que sensação de impotência. Veio por trás de mim e deitou a mão ao meu fio, mas como comecei a gritar, uns vizinhos deram por isso e vieram logo a correr para ver se o apanhavam, mas até chegarem ao pé de mim e ele começar a fugir ainda conseguiu levar-me a pulseira. O fio ficou partido e não conseguiu levar, a medalha ainda a apanhei do chão e a pobre cadela, que eu ia a passear ficou muda e calada. Acho que a bichinha ficou com mais medo do que eu. A seguir fui à Polícia, mas não consegui reconhecer o ladrão. Pudera foi tudo tão rápido, uns segundos apenas, deu lá para reconhecer quem quer que fosse. Só sei que era de raça negra, com trancinhas e pouco mais. Resultado: ouro comigo não anda mais, nem fino nem grosso, nem as alianças. Mas é cá uma sensação que não dá para descrever. Também já não passo a pé pela rua onde isto aconteceu. Só de carro. Enfim, por esta não esperava passar. Até aqui as coisas têm corrido bem, mas com a crise que se instalou neste belo País, está a ficar mais feio do que a noite escura.
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sexta-feira, agosto 10, 2012
JÁ TENHO LICENCIATURA
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terça-feira, agosto 07, 2012
MILAGRE DOS BEBÉS
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sexta-feira, agosto 03, 2012
PARA QUE SERVE UMA RELAÇÃO?
Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
......Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso. ......Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. ......Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. ......Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair. ......Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois. Dráuzio Varella é médico omcologista, formado pela USP. Nasceu em São Paulo, em 1943. Este seu artigo está sendo divulgado pela internet.
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segunda-feira, julho 30, 2012
PARQUE DOS MONGES
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quinta-feira, julho 26, 2012
AMAR SEM POSSUIR
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terça-feira, julho 17, 2012
ONDE ESTÁ O ESSENCIAL?
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quarta-feira, julho 11, 2012
DORMIR ACOMPANHADO FAZ BEM À SAÚDE
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domingo, junho 03, 2012
O SENTIDO DO AMOR
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quinta-feira, maio 31, 2012
NOSSOS PESOS
?
Você se sente, em alguns dias, como se carregasse o peso do mundo? Sente-se excessivamente cansado, atormentado, assoberbado de tarefas Talvez seja interessante refletir um pouco a respeito do que o está deixando tão exausto, quase desencantado da vida. Conta-se que um conferencista tomou de um copo, nele despejou água e o ergueu, mostrando para a plateia. Então, lançou a pergunta: Quanto vocês acham que pesa este copo? As respostas variaram entre vinte e quinhentos gramas. Bom, completou o conferencista, o peso real do copo não importa. O que importa é por quanto tempo eu o segurarei levantado. Se o segurar por um minuto, tudo bem. Se o segurar durante um dia inteiro, precisarei de uma ambulância para me socorrer. O peso é o mesmo, mas quanto mais o seguro, mais pesado ele ficará. Isso quer dizer que se carregamos nossos pesos o tempo todo, mais cedo ou mais tarde não seremos mais capazes de continuar. A carga irá se tornando cada vez mais pesada. É preciso largar o copo, descansar um pouco, antes de segurá-lo novamente. Temos que deixar a carga de lado, periodicamente. Isso alivia e nos torna capazes de continuar. Portanto, antes de você voltar para casa, deixe o peso do trabalho num canto. Não o carregue para o lar. Você poderá retomá-lo, no dia seguinte. * * * Há sabedoria nas palavras do conferencista. Por isso mesmo, o Sábio de Nazaré, há mais de dois mil anos recomendou: A cada dia basta sua própria aflição. Equivale a dizer que devemos saber nos empenhar em algo que precisa ser feito, que exija todo nosso esforço. Mas que, depois de um tempo, precisamos relaxar, espairecer, trocar de tarefa. A lei trabalhista estabelece o cômputo de horas ao trabalhador. Também o dia do repouso, das férias. Na escola, temos horários de estudo, intercalados com intervalos. Pensemos, portanto, e comecemos a agir com sabedoria. Enquanto no trabalho, todo empenho. Vencidas as horas de esforço mental ou físico, envolvamo-nos em outra atividade prazerosa. Busquemos o lar e vivamos, intensamente, com nossos familiares. Observemos o filho no berço, o outro que ensaia as primeiras letras no papel. Preocupemo-nos em saber se tudo está bem. Conversemos. Desanuviemos o cenho, agora é o momento da família. E não esqueçamos de momentos para a oração, para a boa música, a leitura nobre, que nos refaça a intimidade, nos descanse a alma. Vinculemo-nos a um trabalho voluntário. Cultivemos nosso jardim. Podemos as árvores. Colhamos flores. Despertemos mais cedo e observemos o nascer do sol. Encantemo-nos com o cair da tarde. Em suma: vivamos cada momento com todas as nossas energias. Cada momento, sem levar conosco cargas desnecessárias. Lembremos Jesus: A cada dia basta sua própria aflição.
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terça-feira, maio 29, 2012
ELOGIO AO AMOR
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quinta-feira, abril 05, 2012
BOA PÁSCOA!!!
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domingo, abril 01, 2012
O ELOGIO FAZ FALTA?

Eu julgo que sim, mas se for sincero.
É também uma das bases para uma relação dar certo, porque muitas vezes quando se o não obtém dentro de casa procura-se fora dela. Eu vou tentar explicar: estamos numa sociedade que, cada vez mais, centra-se no seu próprio "umbigo" e falta a atenção do seu parceiro ou parceira além da falta de carinho cada vez mais irregular. Se não existe o simples gesto de um afago a relação vai-se tornando morna até à intolerância e aqui começa-se a acentuar os defeitos do outro e as críticas aumentam. As discussões também.
Há que haver participação de parte a parte na intimidade do casal, não pode um dos parceiros estar sempre à espera que o outro dê um primeiro passo. Um casamento é feito por duas pessoas: há que dar e receber.
Com a vida agitada em que vivemos até aos nossos filhos nos esquecemos de os elogiar. Incentivar uma criança num caminho certo é a base para a sua vida futura. Isso todos sabemos, não? Um elogio também pode ser importante, e volto a frisar que tem de ser sincero e não para nos descartarmos de situações que nos incomodam. Pensamos demasiado no presente e muito pouco no amanhã e no depois de amanhã em que vamos estar sozinhos com tantas trocas e ausências de afectos.
Estou crente que um bom elogio na hora certa é uma forte motivação para nos darmos melhor um com os outros. A vida é o direito à felecidade.
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terça-feira, março 27, 2012
ALIMENTOS QUE LIMPAM O ORGANISMO

Há alimentos que ajudam o nosso corpo a eliminar toxinas. Saiba quais são!
Azeite: Melhora o funcionamento do fígado, da vesícula biliar e dos intestinos.
Aipo: Ajuda a limpar as vias urinárias, eliminando o ácido úrico, e protege os rins, evitando a formação de pedra; como contém fibras insolúveis, favorece o bom funcionamento dos intestinos. Se não for fã deste alimento, experimente fritar tirinhas de aipo em azeite, junte nozes e coma como acompanhamento.
Alcachofra: A presença de cinarina ajuda a promover a produção de bílis, que facilita a eliminação de substâncias tóxicas, nomeadamente através da urina. Integre este alimento na sua dieta, cozendo-as a vapor e misturando ervas aromáticas.
Cebola: Prefira comê-la crua (por exemplo, em saladas), dado que ajuda ao funcionamento do fígado e da vesícula biliar, elimina líquidos e oxigena o sangue.
Cenoura: Rica em fibras insolúveis, ajuda a evitar a obstipação, ao mesmo tempo que aumenta a sensação de saciedade. Sumos e saladas são uma boa forma de a consumir com regularidade.
Cereais integrais: Ajudam a eliminar toxinas a nível dos intestinos, protegendo contra os parasitas.
Espargos: As fibras solúveis favorecem o trânsito intestinal, enquanto o potássio facilita a eliminação de toxinas acumuladas na urina. Pode comê-los cozidos ou sob a forma de sopa (basta triturá-los com um pouco de leite e ervas aromáticas).
Limão: Poderoso antioxidante e diurético, que age sobre a qualidade do sangue, eliminando toxinas; ainda melhora a digestão e o funcionamento dos rins. Uma sugestão: junte umas gotas a um copo de água e beba-o de manhã.
Maçã: É uma fruta extremamente depurativa, dado que absorve grande parte das toxinas, enquanto a fibra facilita o trânsito intestinal. Pode consumi-la ao natural, em sumos ou em puré.
Uvas: Elevado efeito depurativo. Pode consumi-las em sumo natural.
Sofia Martinho
in ACTIVA
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quinta-feira, março 22, 2012
ORIGEM DO CONTO DO VIGÁRIO

Vivia há já não poucos anos, algures, num concelho do Ribatejo, um pequeno lavrador, e negociante de gado, chamado Manuel Peres Vigário.
Da sua qualidade, como diriam os psicólogos práticos, falará o bastante a circunstância que dá princípio a esta narrativa. Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: «Sr. Vigário, tenho aqui umas notazinhas de cem mil réis que me falta passar. O senhor quer? Largo-lhas por vinte mil réis cada uma.» «Deixa ver», disse o Vigário; e depois, reparando logo que eram imperfeitíssimas, rejeitou-as: «Para que quero eu isso?», disse; «isso nem a cegos se passa.» O outro, porém, insistiu; Vigário cedeu um pouco regateando; por fim fez-se negócio de vinte notas, a dez mil réis cada uma.
Sucedeu que dali a dias tinha o Vigário que pagar a uns irmãos negociantes de gado como ele a diferença de uma conta, no valor certo de um conto de réis.
No primeiro dia da feira, em a qual se deveria efectuar o pagamento, estavam os dois irmãos jantando numa taberna escura da localidade, quando surgiu pela porta, cambaleando de bêbado, o Manuel Peres Vigário. Sentou-se à mesa deles, e pediu vinho. Daí a um tempo, depois de vária conversa, pouco inteligível da sua parte, lembrou que tinha que pagar-lhes. E, puxando da carteira, perguntou se, se importavam de receber tudo em notas de cinquenta mil réis. Eles disseram que não, e, como a carteira nesse momento se entreabrisse, o mais vigilante dos dois chamou, com um olhar rápido, a atenção do irmão para as notas, que se via que eram de cem. Houve então a troca de outro olhar.
O Manuel Peres, com lentidão, contou tremulamente vinte notas, que entregou. Um dos irmãos guardou-as logo, tendo-as visto contar, nem se perdeu em olhar mais para elas. O Vigário continuou a conversa, e, várias vezes, pediu e bebeu mais vinho. Depois, por natural efeito da bebedeira progressiva, disse que queria ter um recibo. Não era uso, mas nenhum dos irmãos fez questão. Ditava ele o recibo, disse, pois queria as coisas todas certas. E ditou o recibo – um recibo de bêbedo, redundante e absurdo: de como em tal dia, a tais horas, na taberna de fulano, e «estando nós a jantar (e por ali fora com toda a prolixidade frouxa do bêbedo...), tinham eles recebido de Manuel Peres Vigário, do lugar de qualquer coisa, em pagamento de não sei quê, a quantia de um conto de réis em notas de cinquenta mil réis. O recibo foi datado, foi selado, foi assinado. O Vigário meteu-o na carteira, demorou-se mais um pouco, bebeu ainda mais vinho, e daí a um tempo foi-se embora.
Quando, no próprio dia ou no outro, houve ocasião de se trocar a primeira nota, o que ia a recebê-la devolveu-a logo, por escarradamente falsa, e o mesmo fez à segunda e à terceira... E os irmãos, olhando então verdadeiramente para as notas, viram que nem a cegos se poderiam passar.
Queixaram-se à polícia, e foi chamado o Manuel Peres, que, ouvindo atónito o caso, ergueu as mãos ao céu em graças da bebedeira providencial que o havia colhido no dia do pagamento. Sem isso, disse, talvez, embora inocente, estivesse perdido.
Se não fosse ela, explicou, nem pediria recibo, nem com certeza o pediria como aquele que tinha, e apresentou, assinado pelos dois irmãos, e que provava bem que tinha feito o pagamento em notas de cinquenta mil réis. «E se eu tivesse pago em notas de cem», rematou o Vigário «nem eu estava tão bêbedo que pagasse vinte, como estes senhores dizem que têm, nem muito menos eles, que são homens honrados, mas receberiam.» E, como era de justiça foi mandado em paz.
O caso, porém, não pôde ficar secreto; pouco a pouco se espalhou. E a história do «conto de réis do Manuel Vigário» passou, abreviada, para a imortalidade quotidiana, esquecida já da sua origem.
Os imperfeitíssimos imitadores, pessoais como políticos, do mestre ribatejano nunca chegaram, que eu saiba, a qualquer simulacro digno do estratagema exemplar.
Por isso é com ternura que relembro o feito deste grande português, e me figuro, em devaneio, que, se há um céu para os hábeis, como constou que o havia para os bons, ali lhe não deve ter faltado o acolhimento dos próprios grandes mestres da Realidade – nem um leve brilho de olhos de Macchiavelli ou Guicciardini, nem um sorriso momentâneo de George Savile, Marquês de Halifax.
.
Contado por Fernando Pessoa
.
(publicado pela primeira vez no diário Sol, Lisboa, ano I, nº 1, de 30/10/1926, com o título de «Um Grande Português». Foi publicado depois no Notícias
Ilustrado, 2ª série, Lisboa, 18/08/1929, com o título de «A Origem do Conto do Vigário».
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quarta-feira, março 14, 2012
MORRE LENTAMENTE QUEM

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»
Pablo Neruda
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